cover
Tocando Agora:

Big techs são condenadas por falha na proteção de crianças em jogos eletrônicos

Criança jogando em computador em imagem de arquivo Magnific/Reprodução A 1ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal condenou grandes empresas e...

Big techs são condenadas por falha na proteção de crianças em jogos eletrônicos
Big techs são condenadas por falha na proteção de crianças em jogos eletrônicos (Foto: Reprodução)

Criança jogando em computador em imagem de arquivo Magnific/Reprodução A 1ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal condenou grandes empresas e desenvolvedoras de jogos internacionais por uso de loot boxes – caixas surpresas que oferecem recompensas mediante pagamento – por explorar a vulnerabilidade de crianças e adolescentes. Ainda cabe recurso da decisão que gerou indenização de, pelo menos, cerca de R$ 300 milhões. Entre as empresas citadas estão Apple, Google e Microsoft (veja detalhes abaixo). A ação foi movida pela Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced) com base no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Código de Defesa do Consumidor. Nas sentenças, assinadas no último dia 9, a juíza aponta relação entre as loot boxes e problemas com jogos de azar, além de gerar compulsão, frustração e estresse em crianaças e adolescentes. Fantástico reúne pais e filhos para falar do ECA Digital "O usuário despende moeda adquirida com dinheiro real para submeter-se a sorteio de resultado incerto, controlado pela fornecedora, do qual pode advir vantagem estética ou de jogabilidade. Isso confirma, no plano material, a identidade estrutural entre a funcionalidade e a mecânica de azar, independentemente da denominação comercial que se lhe atribua", declara a magistrada. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Em nota (leia íntegra abaixo), a associação que representa as fabricantes de videogames afirmou que o setor "já conta com uma ampla variedade de mecanismos de proteção" e que "vem trabalhando na implementação de medidas adicionais". "A indústria seguirá engajada no diálogo com autoridades, reguladores e demais partes interessadas com o objetivo de promover experiências de jogo positivas para jogadores e famílias brasileiras", diz a entidade. Decisão A juíza aponta, nas decisões, que há publicidade abusiva dirigida à criança e ao adolescente, "que se aproveita da deficiência de julgamento e experiência da criança e do adolescente". Segundo a magistrada, outro problema é a falta de "divulgação ostensiva e clara das probabilidades reais de obtenção de cada item, informação detida exclusivamente pelo fornecedor". "A gravidade da conduta é elevada — oferta sistemática, em jogo eletrônico de larga base global e particular penetração entre o público infantojuvenil brasileiro, de mecanismo de monetização aleatória sem advertência adequada e sem transparência probabilística, expondo pessoa em desenvolvimento a risco de comportamento compulsivo e a defeito informacional que afronta núcleo essencial do direito do consumidor", diz. A indenização – que deve ser convertida ao Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente do DF – para cada empresa foi de: Riot games (League of Legends): R$ 15 milhões; Ubisoft (Tom Clancy): R$ 8 milhões; Apple (App Store): R$ 50 milhões; Microsoft (Xbox): R$ 50 milhões; Google (Google Play): R$ 40 milhões; Sony (PlayStation Store e PlayStation Network): R$ 40 milhões; Konami (PES e Mobile e Yu-GiOh! Duel Links): R$ 12 milhões; EA Games (FIFA, Madden NFL, NBA Live, NHL, EA SPORTS UFC Mobile, Apex Legends, Star Wars Battlefront II, Need for Speed Payback e Plants vs. Zombies Garden Warfare 2): R$ 20 milhões; Nintendo (Mario Kart Tour): R$ 5 milhões; Blizzard Entertainment (Call of Duty, Overwatch e Hearthstone Heroes of Warcraft): R$ 18 milhões; Valve (Counter-Strike): R$ 10 milhões; Tencent (PUBG Mobile): R$ 50 milhões; Garena Agenciamento (Free Fire): R$ 15 milhões. O g1 tenta localizar as defesas das empresas Ubisoft, Konami, EA Games, Nintendo, Tencent e Garena. O Google afirmou que não vai comentar o caso. As demais empresas não se manifestaram até a última atualização desta reportagem. As empresas também deve adotar as seguintes medidas: inclusão de advertência expressa em todas as telas de oferta de caixa de recompensa; divulgação ostensiva acessível e visível na própria tela de compra, das probabilidades exatas de obtenção de cada item ou categoria de itens; implementação de mecanismo de verificação de idade; disponibilização de sistema gratuito e acessível de reembolso para compras de caixas de recompensa realizadas por usuários comprovadamente menores 18 anos. Em caso de descumprimento, há previsão de multa diária de R$ 100 mil, limitada inicialmente a 30 dias. O que diz o setor Leia abaixo a nota divulgada pela Associação de Software de Entretenimento (ESA): "A indústria de videogames considera a segurança online dos jogadores - especialmente de crianças e adolescentes - uma prioridade fundamental. O setor já conta com uma ampla variedade de mecanismos de proteção, como classificações indicativas, controles parentais, moderação de conteúdo e ferramentas de denúncia, que contribuem para que pais, responsáveis e jogadores possam tomar decisões informadas. Desde a adoção dos novos padrões de segurança no Brasil, as empresas do setor vêm trabalhando na implementação de medidas adicionais de proteção. A indústria seguirá engajada no diálogo com autoridades, reguladores e demais partes interessadas com o objetivo de promover experiências de jogo positivas para jogadores e famílias brasileiras." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.